Nunca fui muito fã de Alice Vieira. Talvez por ser uma leitura imposta, de forma incorrecta, por um ensino sem regras. No entanto, em entrevista ao jornal “Publico”, a escritora revelou muito sobre este ensino descabido, opiniões nas quais me revejo.
Fico contente por a própria escritora revelar que os livros sobre os quais fala a estudantes do 7 / 8 ano, há 30 anos a escritora falava a alunos do 3 / 4 ano. Sinto-me compreendido pela autora, espero que sirva como perdão. Não me acho mais do que os outros, mas sinceramente não considero que seja no 7 ano que se tenta impor o gosto pela leitura. No primeiro ciclo os alunos aprendem a lidar com a internet e novas tecnologias, mais tarde é que se vai incutir o gosto da leitura. Não concordo! O gosto pela tecnologia surge naturalmente, é instintivo nos jovens, já o saber ler e escrever… O gosto pela leitura tem de ser cativado, cativado não impingido, desde cedo.
Alice Vieira até pode ter dito que nunca aceitaria ser ministra da educação, mas pelo menos avaliou correctamente a realidade. Vejamos, falta disciplina, os professores são mal formados e os alunos não compreendem o que aprendem.
A disciplina, ou falta dela, prende-se com a educação, essa que tanto falta aos jovens. Estamos na era “morangos rebeldes”, é tudo “nice, bués e fixe”. E se um professor tenta impor respeito corre o risco dos pais fecharem a escola a cadeado e de ver um processo instaurado contra si. Ainda se confunde educação com status e com cultura.
Quanto á formação dos professores, nem vale a pena falar. Médias bastantes baixas, muitos sem vocação para o ser. E acima de tudo, a falta de humildade e de complacência com a profissão que exercem. Eles próprios não impõem o respeito que mais tarde exigem, pois como a escritora disse “Muitos professores têm uma formação muito, muito, muito deficiente. Não só falam mal como se queixam diante dos miúdos. A responsabilização dos professores é fraca, eles não são muito seguros e os alunos sentem-no”.
Hoje em dia tudo é decorado, um estudo feito de véspera. Da forma como o ensino está estruturado nem sempre as melhores notas são de quem melhor sabe. Os professores não tem humildade para admitir uma avaliação, a ministra não tem espírito sensível para o diálogo, nem autoridade para levar uma decisão até ao fim. Estamos no jogo do empurra, em que ninguém toma uma medida. Talvez após as eleições já não exista medo para decidir…
Vitor Oliveira